22 dezembro 2015

O Fim

Morre morto, que vida já não trazes, o peso corrompeu as entranhas da tua alma, e pouco ou nada ficou, sombra moribunda que suplica pela colina distante de um velho gigante.

À muito que só sobrevives, tentando aguentar o desabar por inteiro de todo um ser, sofrendo o conhecimento de saberes qual o único destino onde irás acabar, gritas por esperança, berras silenciosamente entre os desvios e as contra vias dos teus erros, não queres que mais ninguém os veja, mas a toxicidade da tua existência já é difícil de conter.

Contem-te, aguenta só mais um pouco, tudo irá melhorar, espera pelo novo raiar do dia, verás que tudo irá ficar melhor. Não profiras piadas no iludir de uma ilusão criada, enganas-te para sobreviver, mascaras de novo a dor que não queres, e continuas, apodrecendo, pintado de fresco com um cheiro nauseante que tudo fazes para conseguir disfarçar.

Nem todo o quente reconforta, muito menos a quem a ele sempre retorna. As lágrimas secam-se, o doer sublime da razão passa, e aos poucos à terra se consegue regressar.

Absorvendo as linhas, fios e nós dos passados enleios, nas chamas ardentes da criação, do voltar ao nada, do cíclico ciclone do experienciar a plenitude de um virar, e vive.

Vive a morte duradoura que tarda em acabar, que se vê presa no prazer de não mais querer voltar a existir, na escuridão ecoante de tudo o que um dia foi e não se quis mais ser, no eterno sonhar do amanhã possível, na inerente metamorfose do momentâneo pensar.

Porque só voltando ao nada se consegue de novo tudo ser.

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