16 fevereiro 2015

A Travessa

Quando acordo, tudo se liga, coexistindo num máximo absoluto, que não tarda a chegar.

Chega.

O ser cai, soluça perante tão grande investida, até morrendo, porque naquele momento balança entre o tudo e o nada residual, entre o repouso e o trabalho de viver.

Por fim o equilíbrio existe, lentamente se recompondo do passar acelerado de um outro passado, levantando-se do gigante adormecido que ali se deitou, e realiza.

Outro, no meio de tantos outros, o único dia se espera por criar, escondido perante a exclamação do simples que o move, perdido num eterno de parecenças esperadas, que agrupam e afastam.

Como parar o dito 'natural' sem criar reacção igual?

As respostas aparentadas de questões por responder, que tanto se espera e anseia por, mas que rapidamente se vão, no vulto da incerteza imaginada, do desconforto que o viver em sociedade inconscientemente trás, porque a quantidade faz o lugar, e lugares fazem muita gente.

Esperamos, caindo e nos levantando de igual forma, por receio da alienação que tantos já sofrem, a incompreensão problemática do bicho Homem, a expectativa mesquinha do conjunto globalizado, quando a própria natureza está cheia do exponencial potencial do diverso, não é no reduzir, conduzido pelo juvenil instinto de afastar o actual incompreensível, que o mais se encontra, tudo isto e tanto mais causado por uma minoria que tanto impacta a Humanidade, cada vez mais impossível de se esquivar aos olhos de quem a tenta ver.

Entretanto vamos existindo, adaptando e sobrevivendo, porque nenhuma outra alternativa pode existir, se só assim tudo se mantém igual.

Boa Noite, Travessa

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