Nada.
A sanidade revela-se mais frágil do que pensava, é difícil manter a serenidade de uma mente em constante batalha, quando nos momentos em que o mais existe mais observamos, mais vivemos, mais sentimos e mais não queremos o mais.
Sempre reencontrando o lugar danado do não saber, do não perceber e ao mesmo tempo tudo parecer fazer sentido, como peças que esperavam ansiosamente pelo seu certo encaixe no puzzle do presente, perdido outra vez de qualquer ligação com o resto, distante em enredos fantasiosos de como tudo podia ser tão diferente e ao mesmo tempo não, porque é ai que entra o prazer cruel do querer só observar, só sentir, e, ao mesmo tempo, saber que todo o sentir que sentimos é somente uma resposta instintiva do corpo, quando do outro lado o culpar faz-se sentir de sermos passivos, irreais, invisíveis, incompreensíveis, porque na realidade nada estamos concretamente a sentir, a querer, fazer, ser, só irrealidades proferidas no interno do momento vivido.
Como o inesperado véu que cai nas cenas encenadas por quem não pergunta, não procura a resposta concreta e, em vez disso, comanda a sua mente por ilusões que tentam justificar o injustificável, por momentos, meses ou até anos, a peça perfeita de um julgamento incompleto, iludido de si mesmo, decorre. Vindo das entranhas de uma sociedade que 'educa' os seus num ambiente em que tudo é frontal, directo, com 'tudo à vista', em que se perde a procura consciente pela concreta resposta, em troca de um jogo de 'máscaras' que já ninguém sequer vê que joga.
Impeditivo compasso de espera que anseia por se fazer ouvir, porque já ninguém sabe comunicar o que realmente quer com receio da diferença, da incompreensão, do julgar penoso de quem só é com ele próprio, quando o realmente fantástico resulta da paixão inigualável de quem deixou tudo por terra e somente foi.
Porque pensar que a vida é feita de 'todos', é deixar passar ao lado a magia do individual, do pormenor, do momento, do resultado, talvez seja por isso que me vejo mais em momentos de reflexão do que de acção, porque nada me dá mais prazer do que observar como tudo acontece, se desenlaça, se torce e contorce, se expande e contrai, e por isso torno-me máquina, desumano no sentido impessoal do relacionar, porque só assim consigo alcançar o compreender ambíguo do momento, do indivíduo, do pormenor, que anseia por um julgamento, por uma reacção, por um algo que luta para sair, para influenciar e manipular, para controlar e se fazer ver, que rapidamente se compreende e desaparece. Processo repetitivo para o equilibrar mental de um punhado de existência, que aos poucos se vai, caminhando por vales e colinas solitárias, revendo-se em tudo e em nada, perdendo o pouco que resta e nada ganhando mais.
O limbo imperfeito da perfeição de um lágrima proclamada, ecoando pela diferença, pelo saber, pelo não julgar, porque nada realmente é até o fazermos ser.
Cumprimentos e boas entradas.
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