Intimidaste-me, não por o que eras mas sim por o que trazias, estavas cheia, não de ti, de outros.
Outros que jamais podiam ser, não porque não podiam, porque não criam, tentei, não podia não tentar, apaixonaste me no momento em que te vi, conquistaste me quando te vivi, solução esperada de quem somente quer o anonimato da restante vida.
Pessoas estas que se escondem de si mesmas, em desculpas fúteis que justificam as suas não tão positivas acções, crianças que temem o julgamento pessoal que um dia chegará, e quando chegar? Estaremos nós preparados? Ou o tudo mudará para uma vida de arrependimentos e obrigações que somente nós causámos, escolhemos, decidimos em?
A vida vivida só no presente é incompleta, é mar sem água, ar sem oxigénio, saber sem entender, é um algo que, de tão gigante que já é, nos faz cair no erro desentendido de uma iludida ilusão, e assim nos vamos perdendo. Alguns até o chamam de crescer, quando crescer assim é tudo menos isso, é nos reduzirmos a um pequeno pedaço de pó do eu que tão facilmente poderíamos mais ser, contudo nada é assim tão aparente, quem não quer ver não vê, quem não quer amar não ama, quem não quer não faz, agarrados ao facilitismo de ser ovelha, de seguir outros, com a falsa esperança que tudo irá ser exactamente como queremos. Quando até por nós podem dar o primeiro passo mas, se não nos segurarmos pelo menos, rapidamente voltamos ao que éramos, é como a mente que se expande mas se esquece que expandiu.
Apeteceu me gritar, suspirar e te abraçar, raios! Já me agarraste completamente, sou um admitido viciado teu, só espero que um dia me deixes, nem que seja por um momento, para saber o que é não te ter, não te viver, nada saber.
Jardim da Sereia, Coimbra '14
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