14 abril 2014

Desenvergonhada Inconstância

Não, não podia ser, o como e o porquê não davam mãos na ilustre ilusão que criara, burro. Alheio andaste tanto tempo que hoje não vês a verdade apresentada diante de ti, deixas a Vida fugir por entre um punhado de tal-vezes e de ses, desconhecido da verdade que anseia por se revelar, deixa-a, sente-a, percebe-a, o verdadeiro consegue sim ser melhor que o esperado, mas, quando a dúvida impede, o ser não se revela, preso nas teias infiéis do viver, no fundo buraco que tu próprio te cavaste em.

Com isto tudo se vai, destinos se perdem, vidas se vão, porque quem via não quis ver e quem se sentia ia, p'ra quê?

Fartei me de esperar no momento inseguro da débil certeza, eu quero, eu desejo, eu sinto, quando te vejo, quando te olho, quando te toco, perfeição imperfeita que completa o meu ser, que revejo e vejo no meu futuro, que percebo tão inconscientemente que é, o tudo e o nada, o possível e o impossível, quem chegou do inesperado e com tão pouco me fez tão mais.

Porque em ti encontrei o doce quente conforto do inverno, a brisa fresca do verão, e o profundo olhar de quem sabe saber, coração que quer mas receia, mente que aproxima mas impede, juntos estando separados, unidos por algo tão mais que a simples compreensão de uma desigual pétala simétrica não consegue revelar.

O Coração suspira, a mente não compreende e a alma sabe, sabe que foi destino.

Botânico, Coimbra '14

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