10 maio 2010

Quem Hoje Sou.

Desde pequeno que vivi com medo, medo do que via, medo do que ouvia, medo daquilo que não sabia, sofri e sofro bastante no dia a dia mas foram esses medos que me tornaram naquilo que hoje sou.

E que sou eu?

Cresci com medos, cresci e cresço com tantos medos que se soubessem chamar-me iam maluco, aprendi a esconde-los do público, escondidos debaixo da pele, fora do alcance do comum, evolui, tentei esquece-los, tentei fugir deles mas na verdade só os piorei.

Nunca mas nunca te escondas daquilo que não sabes, daquilo que te assusta, tenta sempre saber mais e descobrir o porquê de tal medo.
O pior que te pode acontecer é morrer, e será a morte assim tão má comparada ao sofrimento vivido no mundo em que vivemos?

Sempre me senti "diferente" na maneira como penso, sempre me tentei adaptar e esquecer o meu "eu", talvez seja esse o grande problema da humanidade, o esquecimento do "eu".

Hoje acordo após tantas batalhas, tantas tentativas fúteis de fugir aquilo que nunca irei escapar, tento lutar, perceber o porquê, perceber a razão, procurar uma explicação.

A minha mente já acorda sem forças, sem mais vontade de sair ao mundo, de ser julgada á distância, de ser julgada pelos mesmos "parâmetros" de à tanto tempo atrás. Seremos todos iguais na maneira de pensar, será tudo isto uma criação da minha mente, um teste para ver se estou preparado e preparado para o quê?

Por tantos anos que penso que tudo o que inexplicável vi e senti é uma criação, uma aparição da minha parte criativa, da minha tão grande "criatividade".

Serei eu único, único por pensar p'ra alem do comum, p'ra alem do obvio para alem daquilo que todos acham normal, para alem de estereótipos, para alem de raça, para alem de estatuto, porque na base de tudo somos iguais, a igualdade é algo que valorizo acima de tudo, sempre detestei que me inferiorizassem, que me tratassem como criança quando na verdade já penso de maneira não comum, já consigo ver os meus erros, já consigo ponderar conversas e o que deva dizer, já consigo saber como actuar, saber como agir, como falar, raios como pensar como um adulto até talvez p'ralem disso mas mesmo assim ninguém está pronto para a mudança, ninguém está pronto para os desiguais.

Se fosse como verdadeiramente sou seria desrespeitado, inferiorizado por aqueles que vivem na ilusão de serem superiores, adaptei-me, sobrevivo dia após dia, num mundo de fracos, num mundo de preconceitos e de medos.

O Medo do Novo, o medo da mudança, o medo de serem inferiores, e quando se sentem ameaçados usam o que sabem que não podemos mudar, atacam com a força, com o medo na esperança de "aprendermos" de nos habituarmos a quem manda, de nos habituarmos aqueles que hoje têm poder.

Vivemos numa luta pessoal, entre aqueles que estão prontos para mudar ou aqueles que já são o ar fresco da mudança e aqueles que não querem abdicar do que já sabem, da sua posição segura no mundo.

Talvez não seja eu o maluco, talvez seja o único que já abriu os olhos e vê o que realmente se passa à nossa volta, talvez...

Cumps.

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