Não me digas que nunca foste influenciado por alguém.
Estamos perante um aumento radical na facilidade com que as pessoas são influenciadas e um grande culpado disso é a comunicação social.
Quantos de nós já não viram pessoas a fazer coisas só porque é fixe, ou só porque tá na moda, quantos e quantos não mudaram radicalmente após terem visto algum estilo ou desporto numa telenovela, acham logo que se se tornarem assim irão ser aceites socialmente, infelizmente vivemos numa sociedade que aceita esse tipo de pessoa, infelizmente dia após dia são tantos os influenciados e os que radicalmente mudam para ser aceites socialmente que estamos a perder aquilo que nos diferencia, sendo isto a nossa forma de ser e as divergências que nos unem.
Vivemos numa sociedade que se está a tornar num só, ou pior, grupos sociais muito diferenciados que repugnam o diferente, repugnam aqueles que pensam e agem de maneira diferente, aqueles que ainda são o que querem ser.
E com isto vêm o receio, o medo de não ser aceite, o medo de ser gozado, o receio de ser julgado.
Dia após dia somos separados, agrupamos-nos com aqueles que não nos julgam ou simplesmente com aqueles que nos aceitam como somos, vivemos com medo de nos meter com outros, pois se eles não nos aceitarem e se não formos minimamente parecidos com eles iram "espalhar a mensagem" iram influenciar outros para fazer o mesmo, iram inferiorizar-nos porque na verdade vivem com medo do incerto, com medo daquilo que os pode inferiorizar, com receio do que se possa descobrir com a vinda da novidade.
Mas faz parte do ser humano influenciar outros, influenciam-nos a comprar coisas, a ver coisas, a sentir coisas, a gostar de coisas e a julgar, inferiorizar coisas.
Vivemos numa sociedade de influências, numa sociedade que tenta influenciar todos a pensar da mesma maneira, quando na verdade devia apoiar o diferente, porque com a diferença vem a novidade e com os novos, com os únicos, vem o Desconhecido, a oportunidade de Evoluir.
Quantos de nós não receiam em falar com aqueles que não conhecem, somente por ter medo daquilo que já lhes contaram, ou com aquilo que outros disseram sobre nós.
Já se perdeu aquela coragem que se tinha de ir tentar conhecer alguém que nos suscitou o interesse e isto porque temos medo do que o dito "grupo" pode achar de nós ou mesmo saber de nós, muitas vezes contam coisas erradas, coisas que influencia a maneira das pessoas olharem para nós, da maneira como nos vêem e como nos julgam.
Tentamos sempre arranjar alguém que já esteja aceite no dito "grupo" que nos apresente e faça ver que possamos ser diferentes, diferentes daquilo que "se diz por aí", tudo isto não é diferente das antigas tribos, onde é preciso ser aceite por alguém da tribo até se poder relacionar e falar livremente com os seus membros.
Influenciamos e influenciam-nos dia após dia, vivemos numa era das tribos modernas, daqueles que nos julgam por aquilo que se diz e por aqueles que aceitam o desconhecido e não se deixam influenciar por outros, vivemos na mercê dos outros, onde a singularidade é ridicularizada, onde o medo reina e a coragem à muito que é esquecida, onde os "livres" lutam para ser aceites por todos e não só por alguns, fazem quase de aliados comuns nas barreiras da sociedade de hoje.
Somos julgados ainda antes de sequer ter proferido uma palavra, vivemos na era das influencias, vivemos na era onde passamos a pensar como os outros, a achar o que outros acham, a julgar como outros julgam mesmo sem sequer conhecer em pessoa aquilo que estamos a julgar.
E que podemos nós fazer? Se queremos ser aceites pelo desconhecido temos que primeiro encontrar um elo de ligação, já poucos são aqueles que sozinhos conseguem se fazer aceites num dito "grupo" tem que haver sempre aqueles que os aceitam, tem que haver sempre uma ligação.
Seria assim tão mau se um dia tivéssemos que nos esquecer de tudo aquilo que sabemos de outros e pudéssemos partir para a descoberta do desconhecido.
Talvez seja por isso que sempre me agradou a ideia de mudar de escola pois vamos para o meio do desconhecido onde ninguém nos pode julgar por aquilo que sabem mas somente por aquilo que vêem.
Cumps.
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